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ballet – ensinando e/ou melhorando pirouettes

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Para alguns bailarinos fazer giros duplos, triplos ou com até 8 voltas com um único impulso é tão simples que chega a ser difícil descrever como executam. Para os outros pobres mortais (como eu!), elaborei um passo-a-passo de como ensinar bailarinos iniciantes a girar e algumas dicas para ajudar quem quer melhorar a qualidade de suas piruetas.

  1. Aprender a girar livremente – É preciso que o bailarino/criança experimente e sinta prazer em girar antes de aprender a técnica específica. Afinal, as crianças precisam inicialmente ficar confortáveis com a perda do controle do equilíbrio. Lembro de como minha filha se divertia dando voltas e voltas na sala de casa, especialmente quando tentava bloquear o movimento e seu corpo continuava girando! Então, faça seus alunos girarem livremente pela sala e rolar como o corpo estendido no chão (estimule-os a girar para os dois lados!) ensina um princípio básico de giro: girar em bloco. Isso significa que quando giramos, devemos manter a cintura escapular (ombros) encaixada exatamente encima da cintura pélvica (quadris) e esta exatamente encima das pernas, sem cruzamentos.
  2. Cabeça de giro – escolher um ponto no espaço exatamente na linha de seus próprios olhos e olhar fixamente o máximo de tempo possível é imprescindível para manter o foco durante um ou vários giros. Colocar os alunos na diagonal da sala ou mesmo de frente para o espelho olhando em seus próprios olhos e ensinando que a cabeça gira em uma velocidade diferente do resto do corpo é uma forma excelente de ensinar este pré-requisito.
  3. Equilíbrio em dois pés e depois em um pé – prolongue ao máximo o tempo que você e/ou seus pupilos fica(m) no equilíbrio/ballance em 5ª posição, passé/retire, arabesque ou outra posição fixa de forma estática, buscando a colocação correta do eixo corporal. Repare no tempo que bailarinos que giram muito ficam com seu corpo de forma fixada e você entenderá a importância desse pré-requisito. Se o objetivo for girar com sapatilhas de ponta, a altura da meia ponta e o fortalecimento dos tornozelos são cruciais.
  4. Plié – o demi plié deve ser elástico, suave ao início e levar ao rápido ataque da pirueta.
  5. Velocidade que o pé de ação empurra o solo – sim, terceira de lei de Newton: lei da ação e reação. Quanto mais você empurrar o piso, mais ele vai te empurrar de volta para subir rápido o passé/attittude/arabesque/etc e te colocar no eixo para girar. Do contrário talvez você já tenha começado a girar e a perna ainda não atingiu sua colocação correta no espaço, o que acaba por tirar o bailarino de seu próprio eixo, interrompendo a sequencia de giros. Claro que existem giros lindíssimos onde a posição do corpo muda, como múltiplos giros que começam em um passé que desce para um coupé, mas isso é para bailarinos que já possuem grande domínio da técnica de giro.
  6. Boa posição inicial de preparação para pirueta – aqui chamo a atenção especialmente para as preparações de 4ª posição para pirouettes en dehors e en dedans. Verifique se o bailarino coloca todo o pé em contato com o solo, especialmente o pé de trás, que é da perna de ação do movimento, e se seu peso corporal está corretamente distribuído em ambos os pés. Quanto maior for sua base de apoio, mais fácil será para ele empurrar e colocar-se rapidamente no eixo correto para girar. E essa dica contribui também para o trabalho eficiente do en dehors.
  7. Olhe para onde você vai finalizar o giro. Para principiantes o ideal é finalizar o giro onde se começa ele (de frente para o espelho, na altura de seus próprios olhos, por exemplo), mas conforme forem aprendendo piruetas novas é importante que os bailarinos aprendam o que chamamos de “marcar ponto”. Ou seja, marque o ponto onde você vai finalizar o giro e logo que começar a girar busque-o rapidamente.
  8. Insista em uma bonita finalização – tão importante como preparar o giro e girar uma ou mais voltas é saber como finalizá-lo. Pode ser em uma 4ª ou 5ª posição de pés, um arabesque ou uma pose qualquer de livre escolha do aluno ou professor. O órgão humano responsável por mantermos o equilíbrio encontra-se dentro do aparelho auditivo e é regulado por líquidos que por ali transitam. Quando estamos querendo dominar a técnica de giros, devemos saber como colocar estes líquidos em movimento e também treiná-los a parar rapidamente ao nosso comando, através de nossas terminações nervosas. Claro, isso tudo acontece de forma inconsciente, mas treinamos isso controlando nosso corpo conscientemente.

Espero que essas dicas ajudem você a melhorar suas piruetas e a ensinar seus alunos a girar com mais facilidade.

Para encerrar, compartilho este vídeo que dá outras dicas bacanas sobre giros, em inglês.

Sobre Lica

Apaixonada pelo ensino de de ballet e ginástica para crianças e adolescentes. Formada em Ed Física pela UFRGS e especialista em treinamento desportivo pela UGF.

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